25 agosto 2014

Henry James e sua outra volta no parafuso

Fonte da Imagem: Palavras que me distraem

A outra volta do parafuso, do norte-americano Henry James nos traz, em seu enredo, um grupo de pessoas reunidas, em plena véspera de natal, contando histórias fantásticas. Em meio a esses, Douglas resolve contar uma história que lhe foi contada por uma antiga preceptora de sua irmã, algo que havia acontecido com ela, logo nos primeiros anos de trabalho.

É então que o foco narrativo é deslocado, porque não é Douglas que nos contará a história, mas a própria preceptora, que naqueles tempos fez ares de governanta na residência de Bly, época em que cuidou dos jovens sobrinhos de um tio ausente, Flora e Miles.

Ao chegar em Bly para cuidar dos pequenos, a governanta logo se vê na situação de receber o pequeno Miles, após a sua expulsão do colégio sem maiores explicações dos motivos além do comentário geral de que ele era um menino “mal”.

Daí, que os dias em Bly seguem-se em “perfeita” harmonia - as crianças são uns anjos, inteligentes, bem humoradas e comportadas -, não fosse a presença dos fantasmas de dois ex-empregados da casa, um deles sendo o da governanta que precedera a narradora. Tentar descobrir o que eles querem se torna a sua segunda função dentro do que lhe proposto enquanto emprego e a principal no que se refere ao enredo.

Todo o livro segue esse tom de suspense, uma espécie de realismo fantástico, em que a tensão se dá não pela existência de grandes cenas inimagináveis, mas por poucas oscilações. Tudo é muito racionalizado e por isso a obra adquiri esse tom, até o momento em quê...

É justamente assim que Henry James termina o livro, não nos dizendo o que de fato os fantasmas da casa de Bly queriam. Há mais uma sugestão bastante consistente e palpável, não um final que de fato feche a obra, tornando-o assim um final surpreendente e o verdadeiro clímax da narrativa. E, talvez, seja essa a grande sacada do texto, o pulo do gato do autor ou como o próprio nome da obra diz “A outra volta do parafuso”.

Na edição dos Clássicos da Abril Edições, que tá em capa dura revestida de tecido na cor mostarda, o texto de A outra volta do parafuso conta com 208 páginas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.