27 agosto 2014

CAVALEIRO DANCENY

Aviso legal: Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo em que se passa, não me pertencem, e são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Do Visconde de Valmont à Marquesa de Merteuil



http://showtimestitches.blogspot.com.br/2013/11/18th-century-menswear-costume-danceny.html
"Chevalier Danceny"
Como vos prometi em minha última carta, levei o doce Danceny à Versalhes, quando, então, fui sondando-o acerca sua aventura com a pequena Volanges.

Desde o início afirmava que a menina era pura, um verdadeiro ideal de moça de família, inalcançável á alguém como ele. Não deixei de fazer-lhe um pouco de troça, é claro, por não ter conseguido de sua amada sequer um único beijo e mal um leve roçar de dedos pelo colo e pescoço.

Pronto, foi o que eu precisava para inflamar os seus pudores juvenis, o que quase me levou a realmente considera-lo tão virgem como um botão em flor, no despertar da primavera.

Percebendo-o perturbado como a criança que é nesses assuntos e um pouco aceso por vossos pedidos de educa-lo na arte que dominamos tão bem, resolvi adotar outra tática com o nosso jovem pastor, que foi a de me tornar um igual.

Comecei a falar de uma certa Senhora a qual tenho dedicado meu afeto, mas de quem também, assim como ele, não tenho esperanças de que venha me conceder a felicidade e a honra de amar e cuidar.

Imagine a idílica cena: o pequeno e eu passeando pelos jardins de Versalhes, falando de amor... O efeito foi como o esperado, ele ficou tocado ao ponto de me tomar as mãos nas suas, e dizer o quão sentia pela minha situação, não sem corar, é claro. Aproveitei a situação e, delicadamente, retirei uma de minhas mãos das suas, acarinhando-lhe o rosto e sorrindo. Abracei-o e, enquanto o segurava firme em meus braços, sussurrei-lhe que ouvir aquelas palavras e sentir sua compaixão significava muito para mim.

O pequeno ficou tão perturbado com esse contato, que ele mesmo havia iniciado, que não me olhou mais nos olhos um segundo sequer, além de sempre gaguejar ao me dirigir a palavra. Um virgem!

A volta de Versalhes foi silenciosa, mas não se recusou a permanecer um pouco mais em minha companhia, quando chegamos em minha residência.

Servi-lhe uma dose de vinho e sentei-me ao seu lado, bem próximo, pegando-lhe novamente as mãos e agradecendo as palavras a mim dedicadas àquela tarde, durante o passeio pelos jardins.

Gaguejando, disse-me palavras modestas e encabuladas de que ele desejava a minha amizade e felicidade, que seríamos confidentes um do outro de nossos infortúnios amorosos.

Isso durou o tempo suficiente para eu fazê-lo beber algumas taças de vinho, que eu enchia constantemente, tão logo a taça ficava vazia ou a ponto de, o que foi deixando-o bastante suscetível ao contato entre nós e as palavras de amizade que dedicávamos um ao outro.

Logo estávamos abraçados, do mesmo jeito que havia acontecido naquela tarde em Versalhes, mas findado o enlace de nossos braços, segurei-lhe o queixo e ele sorriu, meio bobo e tonto, meio sem entender o que estava acontecendo... Pousei meus lábios sobre o dele.

Nosso jovem pastor se assustou, muito embora não eu tenha percebido que sua reação tivera sido muito mais de espanto e admiração pelo ocorrido do que de raiva, o que me levou a perguntar se tinha sido o seu primeiro beijo. E não é que o doce menino nunca havia beijado antes?! O que esses meninos fazem em suas longas e tediosas horas durante o treinamento para Cavaleiros?

Enfim, disse que nunca havia feito nada com seus amigos de ordem, mas que havia gostado de sentir os seus lábios nos de outra pessoa, mesmo que tenha sido eu, um homem, ao invés de sua adorada Cécile. Agora sabemos por que este menino é tão devagar, minha cara! Não há quem o oriente. Assim, tomei a decisão de ensina-lo tudo o que sei e fazê-lo um sucessor à altura de um Valmont! Isso tornou-se uma tarefa pessoal.

Tornei então a beijá-lo, enquanto guiava-o até os meus aposentos. Lá, como um amante zeloso, fui despindo-lhe peça por peça e fiz com que ele fizesse o mesmo comigo. Dizia-lhe que lhe ensinaria todas as coisas que seriam necessárias saber para fazer a felicidade de sua pequena amada.

“Somos homens, Valmont! Não podemos fazer isso...”, mo disse, sem muita convicção e entre gemidos de prazer causados pelos meus lábios em seus lóbulos. Disse-lhe que se quisesse ele poderia aprender com uma prostituta qualquer, ao invés de fazê-lo com um verdadeiro amigo, como já me considerava e, portanto, não permitiria que sua honra fosse maculada de forma tão mundana, sem os sentimentos reais de afeto, confiança e amizade. Mas, se ele insistisse que aquilo não deveria mesmo acontecer, então ele poderia deixar para saber como era quando estivesse com sua adorada e vê-la deveras decepcionada por não tê-la feito feliz.

Continuei afirmando que seria tudo ensinado com o carinho de um verdadeiro irmão zeloso, para que ele pudesse aprender direito e fazer do mesmo jeito com a jovem que lhe agitava o coração.

Novamente ele hesitou, dizendo-me que nunca poderia fazer coisa alguma que maculasse a honra da virtuosa Srta. De Volanges. Afirmei que nada de mal aconteceria a menina, que eles se amariam e a pureza da pequena continuaria intacta, que a delicadeza daquele botão em flor nunca seria magoado.

A essa altura já estávamos despidos de qualquer sentimento moralizante em minha cama. Era todo sensações, de olhos fechados e lábios meio abertos. No entanto, buscava prestar bastante atenção nas coisas que eu ia lhe dizendo e fazendo, sempre repetindo a cada lição nova aprendida. Tudo isso, lhe disse que era necessário, a fim de que ele explicasse a menina, quando estivessem juntos e o amor deles se realizassem de modo pleno, que alcançasse o esplendor que só duas criaturas enamoradas uma da outra poderiam chegar.

Passamos a madrugada entre suspiros, gemidos e muitas perguntas acerca o que fazíamos, o que ele sentia... até que desfalecemos. Eu sobre ele.

No dia seguinte, acordou descoberto na cama, com os criados já se movimentando pelo quarto, pondo a mesa do café, separando a minha roupa e preparando o banho. Eu me encontrava de pé, próximo a janela, também nu.

Ao dar-se conta de sua nudez e das pessoas em volta, buscou-se cobrir, envergonhado por ser visto por estranhos daquela forma e em minha cama. Ainda nu, beijei-lhe na boca e ofereci-lhe um de meus robes, que um dos meus empregados me entregava. Isso o deixou ainda mais perturbado, pelo que eu percebi, o que me fez sorrir de prazer por vê-lo naquela situação.

Levantou-se e saiu a procura de suas roupas que ainda encontravam-se espalhadas por todo o aposento. Recusou-se a acompanhar-me no banho ou a fazer o desejum. Simplesmente agradeceu por tudo o que eu tinha feito por ele ontem e que gostaria que tudo isso permanecesse em segredo.

Já estava no banho e totalmente molhado o abracei e afirmei que ele não devia se preocupar com nada, que éramos amigos, quase como irmãos depois de daquela noite. Beijei-lhe a face e disse que a carruagem o levaria para onde ele desejasse e que esperava logo notícias suas, e que logo ele teria notícias minhas sobre alguma maneira que eu tivesse pensado para ajuda-lo em seu caso.

Foi assim, minha cara, que o nosso ingênuo deixou de ser tanto. Outros detalhes só quando estivermos a sós, em seus aposentos e vestidos um do outro, entretanto, desde já lhe confesso que esse jovem tem um talento muito natural para a arte do “amor”.

Sempre vosso...

Paris,... de 1872.

N.E.: A respectiva carta encontrar-se-ia entre as de número 53 e 54 das publicadas e foi subtraída da coletânea dada a Madame de Rosemonde pelo Cavaleiro Danceny, antes da sua partida de París, logo após os escanda-los causados pela publicação das duas cartas da Marquesa de Merteuil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.