27 junho 2014

Como você usa o que lê?

No dia 17.10.2013, Contardo Calligaris escreveu para a sua coluna na Folha o texto "Qual romance você está lendo?", que trata acerca um estudo publicado na revista Science que diz que leitores de ficção-literária conseguem compreender melhor o sentimentos e as necessidades dos outros.

De fato, a leitura de textos como os de ficção-literária nos ajudam a lidar com as mais variadas situações e modos de pensar, enxergar as coisas e os outros, que passamos a desenvolver uma capacidade maior de perceber coisas nos outros.

Contudo, perceber as necessidades dos outros, não nos livra do fato de que ela não nos torna pessoas melhores, como dá a entender, de certo modo, Contardo, ao dizer que poderíamos nos livrar de traços de sociopatia e psicopatia em certo sujeitos, pelo caminho da leitura e o desenvolvimento dessas capacidades de sentir empatia pelo outro.

Já tratei sobre isso em um ou outro texto, na minha antiga coluna no site "Vá ler um livro", indicando que o fato de a literatura nos tornar mais humanos é considerado, inclusive, pela ALB um mito sobre as vantagens de ser um leitor. O próprio Calligaris coloca em xeque sua proposição sobre sociopatas e psicopatas, ao dizer que os efeitos verificados pelos pesquisadores são a curto prazo e que ainda não se sabe se tais são possiveis de serem acumulados.

Exemplo claro disso na literatura é a personagem Marquesa de Merteuil, do romance "As Relações Perigosas". Uma jovem senhora, versada em romances, tratados filosóficos e outras tantas leituras, que se utiliza de seus conhecimentos dos outros de modo a manipulá-los a seu bel-prazer. Ou seja, uma coisa é perceber o querer, os desejos dos outros, suas necessidades e outro o modo como agir sobre isso. A maneira é que diz quem somos e para quê a leitura nos serve no convívios com os outros, não o fato de lermos mais ou menos que os outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.