04 março 2014

Nu, de Botas - comentário

Recentemente comprei o livro Nu, de botas, de Antonio Prata. Fiquei com vontade de ter esse livro, depois de ter visto o autor ser entrevistado pelo Jô Soares, duas vezes, já que a vontade foi esquecida e só relembrada com a reprise do programa.

Querer o livro veio por dois motivos, o primeiro por ter achado o escritor um fofo, ao falar do que escreve e, o segundo, por causa de um dos textos presentes no livro.

O texto em questão é Blowing in the Wind, na qual ele conta a experiência de ter descoberto que pessoas chupam pinto. Aliás, essa me parece ser a tônica de todo o livro, a descoberta.

Não uma descoberta que nos traz algo desconhecido somente, mas aquela que nos permite se surpreender com as coisas ao nosso redor. É a descoberta da quebra de naturalidade das coisas, principalmente para quem lê os textos e, que só é possível por tratar-se de relatos de experiências, histórias, anedotas: crônicas de uma criança, deslocada novamente pelo olhar do escritor.

Assim, a quebra da familiaridade, o nosso deslocamento nada mais é que o desdobramento de vários outros deslocamentos. O deslocamento pelo olhar da criança que descobre a vida em suas experiências. O deslocamento feito pela memória, do que já não é mais o momento do fato experimentado, o momento no contínuo do vivido. O deslocamento do escritor que torna esses deslocamentos em matéria literária. E, por fim, o deslocamento do leitor, que é arrebatado por todos os outros deslocamentos e, assim, deslocasse a si mesmo das familiaridades do mundo ao redor. 

Link para a resenha do site da Companhia das Letras








Nu, de botas
Páginas: 144
Acabamento: Brochura
Lançamento: 2013
Selo: Companhia das Letras

Um comentário:

Ronrone à vontade.