18 setembro 2013

Frankenweenie e Psicose: os mortos entre nós

Domingo e eu terminei de ler Psicose, obra literária de Robert Bloch, que foi adaptada para o cinema por Alfred Hitchcock e que se tornou uma referência como thriller.

De modo sucinto e livre, Psicose narra a história de Norman Bates, sujeito atormentado pelo “fantasma” da mãe e que, por conta disso, se envolve em uma série de assassinatos e mentiras.

No mesmo dia, eu assisti a animação, em stop motion, Frankenweenie, de Tim Burton. O filme nos traz a história de Victor e seu cachorrinho sparky, que após morrer atropelado por um carro é ressuscitado pelo seu dono e, depois, de muitos contratempos, o salva de um ataque de outros animais de estimação revividos e que se tornaram malignos.

Frankenweenie traz muitas referências literárias e cinematográficas, desde os filmes japoneses como Godzilla, passando pelo óbvio Frankenstein e A Esposa de Frankenstein, como Pet Sematary, de Stephen King, dentre outras.

Os dois, embora totalmente diferentes no tipo de abordagem, tem um ponto em comum, que considero fortíssimo e sobre o qual falarei daqui por diante, que é o modo como as pessoas lidam com a morte de algum ente querido.

Na animação de Tim Burton, a ausência do animal de estimação leva Victor a tentar revivê-lo, com ajuda de uma forte corrente elétrica, advinda de uma tempestade de raios, mas só o amor que o garoto dedica ao cachorro que faz com que ele de fato volte como o era em vida, diferentemente do que acontece aos outros bichinhos de estimação ou não, que são trazidos de volta do mundo dos mortos.

Já em Psicose, Norman sofre com a perda de sua mãe, assassinada por ele mesmo, por causa do ciúme doentio que ele sentia dela. A perda lhe é tão forte que é necessário, para ele continuar a viver, a recuperação do corpo de Norma e o seu empalhamento. Contudo, isso não garante a vida de Norma, o que possibilitará essa existência é a criação de uma personalidade na mente do próprio Norman, desenvolvendo assim uma nova personalidade, com a qual interagirá.

Assim como a energia elétrica e o amor é essencial para o retorno de Sparky, para que Norma volte, além do corpo empalhado e de Norman coloca-lo em sua/uma rotina, como vesti-lo e a ficar em cômodos da casa. Foi preciso que uma nova identidade se constituísse na mente de Norman, funcionando assim como a energia que possibilitará a manifestação da vida em Sparky, permite a interação dele com Victor.

Duas forças distintas, dois modos de retorno de quem já não está mais entre nós e que resultam num caos, que pode terminar ou não. No caso de Frankenweenie, um final totalmente diferente de sua raiz, Frankenstein, é feliz, tanto pro criador como pra criatura. Já em Psicose, há o aniquilamento de Norman e a sobrevivência da criatura Norma, que, ao contrário do monstro de Frankenstein, de Shelley, é desumana.

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