03 agosto 2013

Uma breve leitura “Sobre a dificuldade de Ler”, de Giorgio Agambem

fonte: Revista CULT
No texto “Sobre a dificuldade de ler”, publicado na edição 180 da Revista Cult, Giorgio Agambem, filósofo italiano, aborda a questão da leitura não pelo viés do ler, mas da não-leitura, ocasionada pela ilegibilidade que o texto adquire para o leitor.

O primeiro tipo dessa ilegibilidade apontada por Agambem é oriunda de uma impossibilidade de ler, na qual o sujeito sucumbe a acédia, que imperiosamente o faz largar o livro, tamanha é a sua indisposição e sua inquietação para com o ato de ler. A seguir, o filósofo, trata sobre a impossibilidade da leitura acarretada pelo analfabetismo, trazendo para a discussão a dedicatória de um livro feita “para/por ao analfabeto”, ou seja, um livro para pessoas que não poderiam ler, o que na visão de Agambem é interpretado como o que não pode ser lido, algo tão ilegível, que mesmo a tentativa de se deitar ao papel, não alcança êxito na busca pela compreensão e entendimento.

Depois, ele apresenta a não leitura pautada ainda na inteligibilidade, mas por meio de livros que foram escritos, mas que, ou não foram lidos ou se lidos, foram por muito poucas pessoas, e assim, estão esperando o seu momento de inteligibilidade, em uma perspectiva benjaminiana, que ele nos apresenta. Nessa inteligibilidade, ele questiona o status do livro não lido, o seu valor e a exigência que se faz premente de sua leitura, que, ainda de acordo com Agambem, não implica, de fato, em sua leitura, mas na premência de existir, de ser um vir-a-ser.

Por fim, ele traz a baila, a referência a Dante, no âmbito de ler o que nunca foi jamais escrito, resgatando assim a dedicatória feita para/por os analfabetos e acrescentando aí a linguagem do entre-lugar, da poética e da vida, haja vista que, Dante escreveu algo que jamais fora escrito e lido, pois a língua a ser utilizada é a da oralidade, do italiano vulgar, que não era a linguagem utilizada na escritura de livros e, menos ainda, lido pelas pessoas alfabetizadas, e ainda assim, essa linguagem mundana é inacessível à leitura desse sujeito analfabeto, embora seja a sua linguagem, ou seja, a existência da ilegibilidade do texto escrito, da capacidade de se atribuir a ele um sentido, uma possibilidade estável de compreensão, o que nos leva a considerar que essa linguagem é fruto de uma plurissignificação que não tem hierarquias, portanto, uma linguagem poética, que, como propõe o autor, é “algo que incessantemente habita, trabalha e sustém a língua escrita para restituí-la àquele ilegível do qual provém e para o qual se mantém em viagem” (AGAMBEM, 2013, p. 46), porque na sua ilegibilidade há uma exigência de sua leitura.

Uma exigência que faz por justamente nos colocar essa dificuldade, essa opacidade, que nos leva ao trabalho da significação, da ressignificação e do constante “dar sentido” ao que é lido, o trabalho da compreensão e interpretação, daí que o autor conclama a se instituir os livros que exigem ser lidos e não se ater aos livros mais lidos, pois esses levam a um comodismo, uma estagnação no processo de leitura, o senso comum, portanto, uma ilegibilidade do mundo e da linguagem.

Um comentário:

  1. O que há de "novidade" neste texto, Daniel? Qual é a contribuição, a relevância do que você está escrevendo. Observe o primeiro parágrafo. Você se limita a usar uma linguagem pretensamente rebuscada, quase filosófica, usando um termo de significado obscuro ("não-leitura")para chegar a uma conclusão tão ou mais obscura que o próprio termo. Há uma tentativa, ao longo do texto, de esclarecer essa conclusão. Uma tentativa infrutífera. Vou me limitar a esse comentário no plano do conteúdo, nem mencionarei aspectos formais, de texto.
    A crítica que fiz no texto sobre "As espumas..." vale aqui também: você continua se limitando a comentar o comentário. O que tem no seu texto que eu não poderia encontrar no artigo publicado na revista Cult? Você só o escreveu porque é fashion falar sobre Agambem? Cuidado com o pedantismo prolixo, meu caro, pois de pedantes e comentadores de comentários nosso blogs e academias da vida já estão cheios.

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