29 agosto 2013

A espuma que se desfaz nos dias

A espuma dos dias, romance de Boris Vian (1920-1959), foi publicado em 1947, mas só se tornou célebre nos anos 60, quando foi redescoberto pelo público e tornando-se então um clássico moderno.

A história traz Colin, um rico, desocupado e com problemas em arranjar namoradas, por ser tímido demais. Ele resolve mudar essa situação quando seu melhor amigo Chick, que trabalha para sobreviver e adquirir os exemplares e tudo o mais de seu autor favorito - Jean-Sol Partre, começa a namorar a sobrinha de seu cozinheiro Nicolas, Alise.

Eis então que, na festa de Isis, Colin conhece Chloé, e eles se apaixonam e se casam. Porém a felicidade do casal é logo interrompida, ainda durante a viagem de lua-de-mel, pois Chloé cai doente.

Depois de ser examinada pelo médico, eles descobrem que dentro do pulmão da menina cresce um nenúfar e para isso é receitado a ela não ingerir líquido, pelo menos não mais de duas colheres, além de ser rodeada por flores, para fazer medo a flor a fim de que ela morra. Como outra medida, ela é levada para montanhas e acaba por ser operada, retirando assim o vegetal que cresce no seu peito.

No entanto, as flores, a estadia nas montanhas e a viagem de lua-de-mel, bem como o luxuoso casamento, acabam por consumir toda a fortuna de Colin, que tem que começar a trabalhar, porque, mesmo com a retirada do nenúfar, Chloé não melhora e é preciso cuidar dela.

Na medida em que a doença da esposa de Colin vai avançando, toda a beleza, luminosidade, extravagância, alegria vão sendo consumidas, transformando o ambiente ao redor, úmido, escuro, pequeno e desmantelado. O clima torna-se tão pesado que até Nicolas, o cozinheiro passa a envelhecer rapidamente, cerca de dez anos em oito dias, mais ou menos.

O relacionamento de Chick com Alise também começa a passar por turbulências, pois o rapaz não consegue dar atenção à namorada, já que cada vez mais torna-se vidrado em Jean-Sol Partre, negligenciando assim seu trabalho e suas contas. Já Alise resolve tomar atitudes drásticas, para tentar conter a gana de Chick pelas coisas de Partre.

A espuma dos dias, é “um estranho romance de amor, doença e morte”, como diz a sua contra-capa, escrita por Sérgio Augusto, mas, mais do que isso, é um romance sobre as coisas que você é capaz de fazer e suportar em nome das pessoas e coisas pelas quais tem amor e da brevidade e fragilidade das coisas, daí a imagem da espuma, que vai se desfazendo com o tempo. Tudo em uma linguagem rica, cheia de descrições, devido as imagens “mirabolantes” criadas por Vian, neologismos e uma boa dose de humor, em diálogos muitas vezes próximo do nonsense, inclusive.

O trabalho de tradução do romance de Vian, feito por Paulo Werneck e das revisoras, bem como o trabalho gráfico são de uma acuidade excelente, marca já registrada das publicações da Cosac Naify, que contou com o auxílio do programa Carlos Drummond de Andrade, ano de 2013, da Mediateca da Maison de France e apoio do Ministério francês das Relações Exteriores e Europeias.

As espumas” cinematografada

O romance foi adaptado para o cinema pelo diretor francês Michel Gondry e conta com Audrey Tautou e Romain Duris, no elenco. Foi lançado esse ano e estreou em Belém no dia 28 (sexta) no Cinema Líbero Luxardo, no CENTUR.

O filme consegue dar conta de tudo de fantástico criado pela imaginativa mente de Vian, por meio não de efeitos especiais hollywoodianos, porém com recursos que mais parecem manuais, utilizando de engrenagens e pessoas, ao invés de jogos de imagens computadorizados. E, embora eu considere que o começo tenha sido muito mais “feliz” do que o livro nos mostra, ainda assim, ele consegue ser impactante como a obra na qual é baseado, principalmente quando tratamos da parte em que tudo vai deteriorando, tanto o espaço físico, como o emocional das personagens.








A espuma dos dias (L'ècume des jours)
Autor: Boris Vian
Tradução: Paulo Werneck
Quarta capa: Sérgio Augusto
Editora: Cosac Naify
Páginas: 256


P.S.: A Audrey tá linda com aquela maquiagem que dá impressão de cara lavada e o Romain conseguiu ficar lindo e fofo, como um Colin apaixonado e tímido.

2 comentários:

  1. Tenho algumas críticas a fazer sobre seu texto, Daniel.
    Você é o típico comentador de comentários. Falta profundidade, falta entrar no texto literário, contextualizar melhor a obra, seu autor. Não adianta só falar um pouco do enredo, citar a orelha do livro, a qualidade gráfica da impressão e o cuidado com aspectos visuais. Isso é o óbvio. O texto não estabelece nenhuma relação com outras obras de sua época? Por que só após 13 ou 15 anos de sua publicação é que ele ganhou notoriedade entre o público? Isso são caminhos que você pode seguir e que eu indico.

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  2. admire, caríssimo Daniel, um comentário construtivo sobre a mesma obra: http://www.posfacio.com.br/2013/08/12/critica-a-espuma-dos-dias/

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Ronrone à vontade.