29 março 2013

Ó Madalena, ó cabelos de rastos...

Camilo Pessanha

...e lhe regou de lágrimas os pés, e os enxugava com os cabelos da sua cabeça.
Evangelho de S. Lucas.


Santa Maria Madalena, de Francisco Venegas. 
fonte da imagem: prosimetron
Ó Madalena, ó cabelos de rastos,
Lírio poluído, branca flor inútil,
Meu coração, velha moeda fútil,
E sem relevo, os caracteres gastos,

De resignar-se torpemente dúctil,
Desespero, nudez de seios castos,
Quem também fosse, ó cabelos de rastos,
Ensanguentado, enxovalhado, inútil,

Dentro do peito, abominável cômico!
Morrer tranquilo, - o fastio da cama.
Ó redenção do mármore anatômico,

Amargura, nudez de seios castos,
Sangrar, poluir-se, ir de rastos na lama,
Ó Madalena, ó cabelos de rastos!

fonte do texto: jornal de poesia

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