15 março 2013

Caballero solo – Cavalheiro só


Pablo Neruda – Tradução de José Paulo Paes

Girl with yellow scarf, by Egon Schiele
Fonte da imagem: art passions

Los jóvenes homosexuales y las muchachas amorosas
Y las largas viudas que syfren el delirante insomnio,
Y las jóvenes senhoras preñadas hace treinta horas,
Y los roncos gatos que cruzan mi jardín em tinieblas,
Como un colar de palpitantes ostras sexuales
Rodean mi residência solitaria,
Como enemigos estabelecidos contra mi alma,
Como conspiradores em traje de dormitorio
Que cambiaran largos besos espesos por consigna.

El radiante verano conduce a los enamorados
en uniformes regimentos melancólicos
Hechos de gordas y flacas y alegres y tristes parejas:
Bajo los elegantes cocoteros, junto al océano y la luna,
Hay una continua vida de pantalones y polleras,
un rumor de medias de seda acariciadas,
y senos femininos que brillan como ojos.

El pequeno empleado, después de mucho,
Después del tedio semanal, y las novelas leídas de noche em cama
Ha definitivamente seducido a su vecina,
Y la lleva a los miserables cinematógrafos
Donde los heróes son potros o príncipes apasionados,
Y acaricia sus piernas de dulce vello
Com sus ardientes y húmedas manos que huelen a cigarrillos.

Los atardeceres del seductor y las noches de los esposos
Se unen como dos sábanas sepultándome,
Y las horas después del aluerzo em que los jóvenes estudiantes
Y las jóvenes estudiantes, y los sacerdotes se masturban,
Y los animales fornican diretamente,
Y las abejas huelen a sangre, y las moscas zumban coléricas,
Y los primos juegan extrañamente com sus primas,
Y los médicos miran com fúria al marido de l joven paciente,
Y las horas de la mañana en que el professor, como por descuido,
Cumple com su deber conyugal y desayuna,
Y más aún los adúlteros, que se aman com verdadero amor
Sobre lechos altos y largos como embarcaciones:
Seguramente, eternamente me rodea
Este gran bosque respiratorio y enredado
Com grandes flores y dentaduras
Y negras raíces em forma de uñas y sapatos.

***

Os jovens homossexuais e as mocinhas amorosas,
E as longas viúvas que sofrem de insônia delirante,
E as jovens senhoras há trinta horas emprenhadas,
E os gatos roufenhos que atravessam meu jardim em trevas,
Como um colar de palpitantes ostras sexuais
Rodeiam minha casa solitária,
Inimigos jurados de minha alma,
Conspiradores em traje de dormir,
Que trocaram por senha grandes beijos espessos.

O verão radiante conduz os namorados
Em uniformes regimentos melancólicos
Feitos de gordos magros e alegres tristes pares:
Sob os coqueiros elegantes, junto ao mar e à lua,
Há uma vida contínua de calças e galinhas,
Um rumor de meias de seda acariciadas,
E seios femininos a brilhar como dois olhos.

O pequeno empregado, depois de tanta coisa,
Depois do tédio semanal e das novelas lidas na cama toda noite,
Seduziu sua vizinha inapelavelmente
E a leva agora a cinemas miseráveis
Onde os heróis são potros ou são príncipes apaixonados,
E lhe acaricia as pernas, véu macio,
Com suas mãos ardentes, úmidas que cheiram a cigarro.

As tardes do sedutor e as noites dos esposos
Se unem, dois lençóis que me sepultam,
E as horas de após almoço em que os jovens estudantes
E as jovens estudantes, e os padres se masturbam,
E os animais fornicam sem rodeios
E as abelhas cheiram a sangue e zumbem coléricas as moscas,
E os primos brincam de estranho jeito com as primas,
E os médicos olham com fúria o marido da jovem paciente,
E as horas da manhã nas quais, como que por descuido, o professor
Cumpre os seus deveres conjugais e desjejua,
E inda mais os adúlteros, que com amor verdadeiro se amam
Sobre leitos altos, amplos como embarcações:
Seguramente, eternamente me rodeia
Este respiratório e enredado grande bosque
Com grandes flores e com dentaduras
E raízes negras em forma de unhas e sapatos.

PAES, José Paulo. Poesia erótica em tradução. – seleção, tradução, introdução e notas de José Paulo Paes. – São Paulo: Companhia das Letras, 2006. P. 170-3

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