20 fevereiro 2013

As Brumas de Avalon - um breve comentário

fonte da imagem: leitura crítica

A quadrilogia “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley e publicado no Brasil pela Editora Imago, narra, por meio de Morgana, os fatos que levaram à subida de Artur como Grande-Rei da Bretanha, assim como o seu reinado e o seu fim.

Muito conhecidas, as histórias de Artur, seus companheiros da Távola redonda, o reino de Camelot e o reino de Avalon tem, desde a idade média inúmeras edições e versões. O que diferencia a obra de Bradley das demais (ou de sua maioria) é justamente o fato de ser narrada pela irmã de Artur e se concentrar mais no aspecto romanesco do ponto de vista dessas mulheres, do que dos feitos e a perspectiva dos homens.

Além desse aspecto romanesco “As brumas” aborda as questões religiosas de transição do paganismo ao catolicismo, que já frequentava a Ilha desde os tempos da tutela Romana, mas sem julgar ou tentar dizer qual prática seria a mais correta. Muito pelo contrário, a discussão religiosa feita por Bradley, em “As Brumas”, é a de tentar perceber o que nas religiões podem ser consideradas como vontade divina ou apenas orgulho e imposição humana e em como ambas parecem estar imbricadas. Busca evidenciar também que, de um modo ou de outro, ambas tem valores parecidos, embora os pratique de maneiras distintas e mesmo de modo conflitante uma com a outra.

E é justamente esse o propósito da história ser narrada por uma mulher, no caso Morgana, e ter várias outras num plano principal, pois é marca dessa transição, haja vista que, o mundo antes era feminino e depois torna-se masculino, com o catolicismo tornando-se a principal religião da Grã-Bretanha e Avalon desaparecendo, junto com a narradora, por entre as brumas.

Contudo, mesmo com o desaparecer de Morgana, de Avalon e da religião da Deusa do centro do acontecimentos do mundo, ele não é definitivo. Assim como Avalon foi deslocada do espaço e do tempo, o mesmo acontece com a visão feminina do mundo, ela é deslocada, mas não finda.

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