27 fevereiro 2013

Anotações sobre Literatura Fantástica no Brasil

Por Daniel Prestes

Palestra "Literatura fantástica no Brasil", com Braulio Tavares.
foto: Daniel Prestes
Ontem, no Instituto de Artes do Pará (IAP), teve início a Caravana de Escritores, pelo Circuito Nacional de Feiras de Livro. Nessa primeira noite, aconteceu a palestra do escritor paraibano Braulio Tavares, que tratou do tema "Literatura Fantástica no Brasil".

Braulio iniciou a sua palestra discorrendo sobre o papel da literatura fantástica e de ficção científica dentro da Literatura, sendo elas consideradas como gêneros menores dentro da ficção, pelos críticos.

E segue desenvolvendo sobre o papel da ficção científica nos rumos que a humanidade segue nos campos da ciência e que, embora a tradição e o hábito de produção advenha mais do eixo norte-americanos-europeus, esse campo literário não tem "um dono".

Todavia, embora a tradição de ficção científica norte-americana e, principalmente, européia estejam mais em evidência, isso se deve ao fato de eles produzirem esse tipo de literatura a mais tempo e terem estado no centro dos movimentos científicos, seja a Revolução Industrial ou os avanços tecnológicos das Grandes Guerras e da Guerra Fria.

No caso do Brasil, outro fator que o coloca fora dessa tradição maior da ficção científica, é justamente por não ter muito tempo de produção literária própria, mais ou menos 200 anos, muito pouco quando comparados à produção literária européia. Aqui, é válido lembrar que, antes da vinda da Corte real Portuguesa, era proibida a impressão de livros na Colônia e a importação de livros tinha que passar pelo crivo da Alfandega e seus censores.

Contudo, tivemos a nossa produção de ficção científica e aqui, Bráulio Tavares, começa a citar algumas de nossas produções, como: Doutor Benignus (1875), de Augusto Emílio Zaluar; A filha do Inca (1933), de Menotti Del Picchia; A cidade perdida (1948), de Jerônymo Monteiro e Amazônia Misteriosa (1925), de Gastão Cruls, além do primeiro romance brasileiro de ficção científica que trata de viagens interplanetárias, o A liga dos planetas (1923), de Albino Coutinho.

Acerca este último, ele menciona algo que parece ser comum na produção de ficção científica brasileira, que sempre termina com "então acordei de um sonho", como se pensar em ficção científica fosse algo que não pudesse ser pensado por estas terras, uma espécie de complexo de culpa. Outro aspecto bastante forte em nossa produção, é o que ele denominou de ficção científica selvagem, já que muito do que se viu nos romances deste gênero é a referência aos mistérios que envolvem as florestas e sociedades que nelas vivem.

Assim, ele chega na assertiva de que, a ficção científica é o sonho, enquanto a literatura fantástica são as profundezas da mente, e além de contrapor, se complementam.

O escritor ainda falou do conceito de literatura fantástica de Tzvetvan Todorov, sobre o Fantástico insólito de Kafka, além de ponderar que, no Brasil, por ser um país mais musical que literário, percebe-se muito mais a reflexão de temas referentes a ficção científica na MPB, citando aí Gilberto Gil e Chico Buarque, como Os Mutantes.

Sobre a produção atual de ficção fantástica e de fantasia, ele disse que o Brasil vive um bom momento, com muitas editoras publicando autores novos, como por exemplo: Devir, Terracota, Aleph e Draco.

Recomendamos:

Mundo Fantasmo, blog de Braulio Tavares, onde encontram-se textos sobre os mais variados temas, inclusive ficção científica.

Sci-Fiction Encyclopedia, site em inglês com vários verbetes sobre o universo sci-fi.


Um comentário:

  1. tá. e por que você não gravou a palestra ou fez um livestream?

    ERA DA INTERNET, GATO!

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