25 janeiro 2013

Hommage dû - Homenagem devida

Verlaine

Je suis couchê tout de mon long sur son lit frais:
Il fait grand jour; c'est plus cochon, plus fait exprès
Par le prolongement dans la lumière crue
De la fête nocturne immensément accrue
Pour la persévérance et la rage du cu
Et ce soin de se faire soi-même cocu.
Elle est à poil et s'accroupit sur mon visage
Pour se faire gamahucher, car je fus sage
Hier et c'est - bonne, elle, au delà du penser? -
Sa royale façon de me récompenser.
Je dis royale, je devrais dire devine:
Ces fesses, chair sublime, alme peau, pulpe fine,
Galbe puissamment pur, blanch riche, aux stries d'azur,
Cette raie au parfum bandatif, rose obscur,
Lente, grasse, et le puits d'amour, que dire sur!
Régal final, dessert du con bouffé, délire
De ma langue harpant les plis comme une lyre!
Et ces fesses encor, telle une lune en deux
Quartiers, mystérieuse et joyeuse, où je veux
Dorénavant nicher mes rêves de poète
Et mon coeur de tendeur et mes rêves d'esthéte!
Et, maîtresse, ou mieux, maître en silence obéi,
Elle trône sur moi, caudataire ébloui.

***

Deito-me de comprido no seu leito morno.
A claridade do dia está mais de acordo
Com a ânsia obscena de prolongar, à luz crua,
O noturno festim, pois a luz se acentua
O afinco, a fúria do nabo, e vai nisto tudo
Uma estranha vontade de fazer-se galhudo.
Nua em pêlo, ela se agacha sobre o meu rosto
Para ser lambida: ontem me portei a gosto
E esta será (boa, ela, além do que pensa)
A minha paga, a minha real recompensa.
Eu disse real, devia dizer divina:
Nádegas de carne sublime e pele fina,
Branco, puro perfil de azuladas nervuras,
Sulco de intenso perfume, a rosa sombria,
Lenta, gorda, e o poço do amor, as iguarias!
Fim do festim, de sobremesa a cona, a lira
Em cujas pregas, cordas, a língua delira!
E essas nádegas ainda, lua de dois
Quartos, alegre e misteriosa, em que depois
Irei alojar os meus sonhos de poeta,
Meu terno coração e meus sonhos de esteta!
E amante, ou melhor, amo em silêncio obedecido.
Reina ela sobre mim, o seu servo rendido.

PAES, José Paulo (seleção, tradução, introdução e notas). Poesia erótica em tradução. - São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 154-5.

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