27 dezembro 2012

Jogos Vorazes – A trilogia: Roma e o Mito de Teseu e o Minotauro modernos


Daniel Prestes

Jogos Vorazes - A trilogia
fonte: cinesplendor

A trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins e publicado no Brasil pela Editora Rocco, mostra um País chamado Panem, antes conhecido como EUA, que após alguns desastres passa a constituir esse novo país, onde além de uma capital de governo, há outros 13 distritos, cada um realizando alguma atividade específica.

A capital não produz nada, apenas administra o governo de todo o país e é sustentada por todos os outros distritos, que passam a viver na miséria e é isso que leva ao primeiro levante, ou como é dito nos livros, Os Dias Escuros. Dias em que os distritos tentaram acabar com o poder da Capital.

Sob esses aspectos, Panem pode ser encarada como um novo Império Romano, onde a Capital exerce o papel da Cidade de Roma e os outros distritos os povos subjugados. Essa ideia sobre Panem é reforçada ainda mais após o primeiro levante, quando a Capital institui a realização dos Jogos Vorazes.

Os Jogos acontecem em grandes arenas, anualmente, reunindo dois tributos (um masculino e um feminino) que tem como missão matarem entre si, até que só um reste vivo. Uma espécie de Gladiadores do Coliseu romano. Panis et Circencis. O vitorioso, além de nunca mais ter que participar da seleção pros jogos, também fica rico e faz com que pelo período de um ano, os seus conterrâneos recebam uma porção extra de grãos e óleos, que são destinados aos distritos.

E é aí que entramos no mito de Teseu contra o Minotauro.

De acordo com o mito grego, no arquipélago de Creta, o rei Minos todo o ano recolhia tributos, a fim de serem enviados para o labirinto do Minotauro (que fora construído por Dédalo e seu filho Ícaro), com a diferença que, ao invés de serem crianças pobres dos distritos como é em Panem, eram os príncipes e princesas de reinos subjugados, o que simbolizava o poder do rei Minos sobre essas outras comunidades.

Até que, certo ano, Teseu é escolhido e consegue derrotar o Minotauro e sair do labirinto, com a ajuda de Ariadne, com quem fica por um certo tempo. Basicamente, é isso que acontece entre Katniss e Peeta, o nosso Teseu e nossa Ariadne, respectivamente.

É aí, que ao se tornarem vitoriosos em equipe, o que era inimaginável, “voltamos” para as questões romanas, com a Pax ameaçada e o início de um novo levante dos distritos contra o poder da Capital, fatos análogos a insurreição dos gladiadores e exército romano, contra Roma.

E o que representa a Capital, além de ser o símbolo máximo do poder?

A Capital é onde tudo que parece ser fútil, vulgar e excessivo tem lugar, representa, de certo modo, a decadência moral. É o lugar das aparências e da opulência. É a Roma decadente, com os seus grandes banquetes e festas orgiásticas, que logo sucumbe ante a insatisfação do “populacho’.

E o novo governo não pode ser instituído de modo arbitrário, tem que ser formado por meio da vontade popular, uma república democrática, não mais regida por um Ditador e seus senadores (Idealizadores dos Jogos), porque essa realidade não serve mais, por isso que, tanto Snow como Coin morrem no final da trama. Ambos representam aspectos negativos, Snow, como o próprio nome sugere é frio e insensível, assim como Coin, que com a desculpa de salvar os rebeldes e ajudar os aliados, quer o controle da Capital, ou seja, ela representa a ganância, como o seu nome sugere “moedas e dinheiro”.

Então, com a República instaurada e Playor como presidenta, todos os heróis se retiram, porque a história não precisa mais deles para ser construída e continuada.

Outras resenhas:

Cabine Literária 28 – Jogos Vorazes
Cabine Literária 34 – Em Chamas
Cabine Literária 41 – Esperança
Cinesplendor
O que aconteceria comigo?

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2 comentários:

  1. Quanta informação! Gostei, principalmente pq não são só gladiadores numa arena, tem todo um enredo, é o que acho mais interessante!

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  2. O único que tem coerência no que fala, por que conheçe do assunto. Parabéns ótimo argumento.

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Ronrone à vontade.