15 agosto 2012

Cidade

Fonte: Notícias UOL Fotos

Para Arthur Nestrovsky

Lembro que o futuro era uma cidade
nebulosa da qual eu esperava
tudo e que, sendo uma cidade, nada
esperava de ninguém. Ah, cidade
sonhada de avenidas macadâmicas,
turbas febris e prédios de granito:
o que era o que eu perdera e que, perdido
e em cacos, buscava nas tuas áridas
calçadas e esquinas? Hoje constato
que a névoa do futuro do passado
adensa-se dia a dia. De longe
teus contornos são mais arredondados.
Tu, cidade irreal, aos poucos somes:
já anseio te rever e já te escondes.

CÍCERO, Antonio. Porventura. - Rio de Janeiro: Record, 2012. p. 65.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.