13 junho 2012

Do amor e outros demônios

Sierva María
Fonte:
Alma y Arte 
Sua própria voz o despertou de repente, e ele viu Sierva María com a bata de reclusa e a cabeleira de fogo vivo sobre os ombros, jogando fora o cravo murcho e pondo no lugar um ramo de gardênias recém-nascidas, da floreira da mesa grande. E Delaura, com voz ardente, repetiu Garcilaso: "Por vós nasci, por vós tenho a vida, por vós hei de morrer e por vós morro". Sierva María sorriu sem olhá-lo. Ele fechou os olhos para certificar-se de que não era uma ilusão das sombras. Ao abri-los, a visão tinha desaparecido, mas a biblioteca estava impregnada pelos rastros das gardênias.

GARCIA MÁRQUEZ, G. Do amor e outros demônios. Tradução Moacir Werneck de Castro. 20ª ed. - Rio de janeiro: Record, 2011. p.132 

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