09 março 2012

Thérèse Raquin


Durante horas, ficava agachada diante do fogo, pensativa, olhando as chamas de frente, sem baixar as pálpebras. [...] quando ela levantava um braço, quando adiantava um pé, percebia-se nela elasticidades felinas, músculos curtos e possantes, toda uma energia, toda uma paixão que se escondiam na sua carne adormecida. [...] Quando estava sozinha, na grama, à beira do rio, deitava-se de barriga para baixo, como um animal, com os olhos negros e arregalados, o corpo retesado, pronto para saltar. E ficava ali, durante horas, não pensando em nada, fisgada pelo sol, feliz por poder fincar os dedos na terra.

ZOLA, Émile. Thérèse Raquin. Tradução de Joaquim Pereira Neto. – 2.ed.rev. – São Paulo: Estação Liberdade, 2001. P. 22-3.

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