15 março 2012

O Sapateiro - parte segunda

AVISO: Encare essa história como ficção, pois é isso que ela é. O Autor não compartilha e tão pouco faz apologia aos atos aqui narrados.

Eles eram brancos como leite fresco pelos quais se viam fios verdes tão finos que despontavam em botões de dedos rosados de unhas peroladas perfeitamente desenhadas. Eram os pés mais lindos que já havia deitado os olhos. Ficara tão maravilhado e emocionado com tal visão, que uma lágrima lhe escorreu pelos olhos.

Deixou a panela com a sopa em fogo baixo e foi até o menino, oferecendo-se para lhe secar os pés. O menino, que fora instruído a ser obediente para com Seu Joaquim deixou ter os pés secados pelo sapateiro, que se perdeu em uma alegria, satisfação e maravilhamento nos carinhos que fazia naqueles pés.

Feliz como estava, acrescentou a refeição um pedaço de pão, queijo e no final, ofereceu ao jovem um trago de conhaque, que fez com que o jovem menino sentisse uma elevação de sua auto-imagem. O conhaque servira a seu propósito e o menino, que já estava cansado da viagem e satisfeito com a refeição, cambaleava de sono.

Seu Joaquim o pôs para dormir em sua própria cama, e antes de deixa-lo lhe beijou algumas vezes os pés, como quem beija uma namoradinha tímida e casta, então se retirou a oficina.

Passou a noite e a madrugada em claro, moldando o mais bonito e confortável par de sapatilhas que ele jamais havia feito. Quando terminou o serviço, o sol ia raiando, então, ele pôs aqueles sapatinhos azuis contra a luz advinda da janela e admirou. Admirou como se ali fossem os sapatinhos perdidos de Cinderela. Sim, era assim que ele os via, sapatinhos feitos para um rei, embora o seu este não fosse o menino, e sim o belo casal de pés.

Tão logo o menino acordou, Seu Joaquim lhe preparou um escalda pés para limpá-los e amaciá-los, e tendo-os secados, calçou-lhes meias e as novas sapatilhas.

O menino ficou espantado com tamanho mimo, que nem sequer teve palavras - havia-as poucas em seu vocabulário para situações de espanto e gratidão, ainda mais quando elas se encontravam emaranhadas – então, sorriu.

À mesa, no café da manhã, recebeu instruções de como deveria portar-se, a fim de que não maculasse tão preciosos pés, e que consistia em não andar ou correr descalço, sempre usar as sapatilhas com as meias, que nunca deviam ser usadas mais de uma vez ou permanecer o dia inteiro, sem troca, fazer o escalda pés...

Então, o sapateiro levou o jovem Benji à oficina onde - depois de tê-lo deixado sentado sobre um banquinho, para que não cansasse os pés – começou-lhe a ensinar o serviço.

Passou-se assim o tempo. Benji todos os dias tinha os pés escaldados, massageados, vestidos e calçados pelo Seu Joaquim, ao menos duas vezes.

Continua...

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