07 março 2012

2 mares

aqui também provo tormentos
ó mar dos promontórios meus
                       [generoso mas deserto

me perdi da terra como as ilhas se perdem e
por pouco ainda estou vivo

agora (enquanto vejo despertarem
essas palomas feitas da carne do sol)
tu me tomas num abraço espumoso
e à rocha me devolves embebido
em verde vinho e suor e sal marinho

ó mar de minhas aflições deves saber
que não mais posso viver em tua pele
pois o vento que se afoga nessas brumas
lança-me de volta para a terra hostil

onde me sinto a todo instante bem no meio
de um imenso e assombroso mar vazio

VIEIRA, Paulo. Orquídeas anarquistas. - Belém: IAP, 2007. p. 28.

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