22 fevereiro 2012

Prière de la souris - Oração do rato

Fonte da imagem: Um pouco de poesia
Poema de Carmen Bernos de Gasztold


Je suis si grise
ô mon Dieu,
Vous souvenez-Vous de moi?
Toujours guettée,
toujours chasée,
je grignote petitement la vie.
On ne m'a jamais rien donné.
Pourquoi me reproche-t-on d'être une souris?
N'êtes-Vous pas mon Créateur?
Je ne demande qu'à rester cachée.
Donnez-moi seulement la ration de ma faim
loin des griffes
de ce diable aux yeux verts.
Ainsi soit-il!

Tradução de Carlos Drummond de Andrade

Sou tão cinzento, meu Deus.
Lembra-se de mim?
Sempre vigiado,
sempre caçado,
vou roendo mediocremente minha vida.
Nunca ninguém me deu nada.
Por que me acusam de ser rato?
Não foi o senhor quem me criou?
Só peço uma coisa: ficar escondido.
Me dê só com que matar a fome
longe das garras
daquele demônio de olhos verdes.
Amém.


MASSI, Augusto; GUIMARÃES, Júlio Castañon (org. e notas). Poesia traduzida: Carlos Drummond  de Andrade. Introdução de Júlio Castañon Guimarães. - São Paulo: Cosac Naify, 2011. p. 162-3.

Um comentário:

Ronrone à vontade.