28 fevereiro 2012

Kiosques - Quiosques

Poema de Léon-Paul Fargue

En vain la mer fait le voyage
Du fond de l'horizon pour baiser tes pieds sages.
     Tu les retires
                        Toujours à temps.


Tu te tais, je ne dis rien,
Nous n'en pensons pas plus, peut-être.
Mais les lucioles de proche en proche
Ont tiré leur lampe de poche
Tout exprès pour faire briller
Sur tes yeux calmes cette larme
Que je fus un jour obligé de boire.
La mer est bien assez salée.


Une méduse blonde e bleue
Qui veut s'instruire em s'attristant
Traverse les étages bondés de la mer,
Nette et claire comme un ascenseur,
Et décoiffe sa lampe à fleur d'eau
Pour te voir feindre sur le sable
Avec ton ombrelle, en pleurant,
Les trois cas d'égalité des triangles.

Tradução de Carlos Drummond de Andrade

Em vão o mar faz a viagem
Do fundo do horizonte para beijar teus pés prudentes:
     Tu os retiras
                        Sempre a tempo.

Calas-te, eu não digo nada.
Talvez nem pensemos mais nisso.
Mas os vagalumes, pouco a pouco,
Sacam suas lanternas de bolso
Expressamente para fazer brilhar
Em teus olhos calmos essa lágrima
Que fui um dia obrigado a beber.
E o mar se torna bem salgado.

Depois, certa medusa ouro e azul,
Que quer instruir-se entristecendo-se,
Corta as lojas abarrotadas do mar,
Clara e nítida como um elevador,
E destouca sua lâmpada à flor d'água,
Para te ver, como uma sombrinha,
Chorando, representar na areia
Os três casos de igualdade dos triângulos.


MASSI, Augusto; GUIMARÃES, Júlio Castañon (org. e notas). Poesia traduzida: Carlos Drummond de Andrade. Introdução de Júlio Castañon Guimarães. - São Paulo: Cosac Naify, 2011. p.146-7.

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