14 fevereiro 2012

10. Canção


Construímos uma pequena cabana na clareira, onde passamos a morar.

Fiz para Auletho uma nova flauta, de cipreste e dela, todos os finais de tarde, quando Apolo terminava sua volta pelo céu e este incendiava, tirava as mais belas notas naturais. E para elas, eu cantava um poema antigo. Uma história antiga, como nosso amor.
O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galoupando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em cantos de vitória.¹

Fim

¹FAUSTINO, Mário. Poesia de Mário Faustino. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1997

Um comentário:

  1. Enfim, o céu azul *-*
    Adorei O Flautista Infernal, Dan! Como sempre, sinta-se massageado em seu ego: conseguiu-me prender por dez capítulos e esperar sempre pelo próximo. Sucesso sempre =D

    ResponderExcluir

Ronrone à vontade.