10 janeiro 2012

7. Outras revelações

 Depois de todos aqueles meses, naquela clareira com meu corpo padecendo os efeitos dos feitiços de Auletho, permaneci com minha consciência intacta. Tudo ao meu redor, os ossos espalhados, o jogo de chá trincado e lascado em cima da mesa de madeira em decomposição, com aqueles vermes e larvas rastejando pela toalha de linho puída, encardida e manchada de chá e sangue, além dos rostos cadavéricos e olhos nebulosos de nossos acompanhantes era-me perceptível; nada estava mascarado pela fantasia que você pretendera para o ambiente.

Isso me foi permitido graças a Cora que, quando nasci me fez uma pequena bolsa de bruxa de proteção, e que ela todos os anos renovava, nos dias dos meus anos.

Mesmo assim, com todo aquele horror, me calei e permaneci ao seu lado, pois, na minha razão insana, eu lhe amava. Amava toda aquela feiúra, que emanava da sua bela figura clássica.

- Mas não voltarei com você, por mais que me doa, que lhe ame; não retornarei com alguém que me usou, que tentou com um chá de romã reforçar um amor que não precisava de mais nada que o próprio ser amado para tornar-se mais forte, que necessitava de um pouco de reciprocidade para vencer qualquer obstáculo. Não, que você fique eternamente naquela podridão, cada vez mais cheia de belos meninos que nunca lhe tocarão do jeito que lhe toquei. Prefiro a morte. Prefiro ficar aqui, como servo do Senhor das Terras Ermas.

Todos ficaram chocados com a minha declaração, embora ela tenha sido recebida de maneiras diferentes. Auletho estupefato com minha decisão expressou uma careta de contrariação e de dor, uma dor pungente e profunda, que nem mesmo ele sabia que sentiria, ou mesmo que pudesse vir a sentir. Talvez isso tenha sido o mais chocante para ele. Já Donn sorriu de satisfação.

Continua...

2 comentários:

Ronrone à vontade.