27 dezembro 2011

6. A origem – epílogo

 - Sim, essa é uma versão bem usual de oráculos, mas o que sabem eles, mais do que meras idéias simplificadas dos movimentos do tempo e das vontades dos Deuses?! Não passam de meros instrumentos descartáveis. – Disse aquele senhor, agora momentaneamente envelhecido em sua soberba mágoa-rancorosa.

Então, começou a relatar-nos os acontecimentos em sua versão integral, enquanto Auletho, eu e os outros éramos obrigados a nos sentar em rústicas cadeiras de que fora enormes carvalhos.

Segundo Donn, tudo teria começado quando Orpheu depois de ter invadido o Inferno, atrás de sua amada Eurídice e o convencido, com sua bela melodia, a levá-la de volta à luz do dia. Nessa epopéia, aquele mortal havia tocado o coração de mais alguém, sua Rainha Epaine.

Com o desfecho desolador de Orpheu em sua empreitada para salvar Eurídice, o jovem músico passou a vagar a terra tocando uma melodia tão triste, que era capaz de transformar um dia ensolarado e azul de sol em cinza-bronze-chumbo. E foi essa música, que despertou um desejo ainda maior em Epaine, como ela mesmo havia lhe confessado tempos depois, quando a traição fora descoberta.

Ela passeava por uma clareira, em pleno solstício de primavera, colhendo flores, em sua leve túnica branca marmoreada de rosa e amarelo, que sua mãe havia lhe dado naquela temporada. Foi nesse passeio, que ela escutou e espreitou o desolado músico, que logo ela pôs para dormir, e então o levou a possuí-la.

Quando Orpheu acordou, tudo lhe parecia ter sido um sonho, mesmo assim não deixou de sentir, ao retornar a tocar, que algo estava para lhe acontecer.

Logo, a Rainha do Submundo descobriu estar grávida e antes de voltar às Terras Ermas, com ajuda de sua mãe, abrigou o pequeno em uma jovem Bétula, a fim de que ela terminasse de gerá-lo.

Ele soube de tudo, quando o corvo, que ele mandara vigiá-la, lhe mostrou tudo o que havia visto com seus olhos. Então, amaldiçoou o infante, fazendo com que, ao completar 16 anos fosse obrigado a ficar recluso na clareira em que nascera e que sua aparência, mesmo que aprazível fosse fonte de uma suspeita de algo demoníaco em si e que para se libertar, seria preciso que encontrasse o amor em um igual, em um menino; levando-o a descer até o mundo inferior por ele, tudo isso em um prazo de doze meses.

Também aprisionou os amantes e esperou até que, ou ele descesse até suas terras ou ficasse amaldiçoado para sempre.

- Ele sabia que desde pequeno você era apaixonado por ele e, lembrando-se disso foi atrás de você aquele dia, afinal, o prazo para por fim a maldição estava terminando. Ele lhe usou. Contudo, o que ele não suspeitava era que, não era o menino que devia ser apaixonado por ele, e sim ele que deveria apaixonar-se pelo garoto e por esse amor, fazer um grande sacrifício. É uma pena, que ele não lhe ame, pois vocês fazem um casal até que muito agradável de ver.

Um comentário:

Ronrone à vontade.