17 agosto 2011

Henry Miller

Henry Miller
Henry escreve: Viemos ao mundo para fazer parte dele, parte dele, para nutrir e sermos nutridos (...). É o desejo de Lawrence de altera as pessoas que traz mais catástrofes do que benefícios. É de um egoísmo cego e neurótico. Percebo que o desejo de reformular o homem afasta-o de seu próximo, em vez de aproximá-lo, É um caminho rumo ao isolamento. Rumo a um cuidado de si mesmo. Quando nos fartamos de tentar ajudar alguém, retornamos à multidão e nesse momento ajudamos de fato - apenas com nossa presença, pois a essas alturas a soma das experiências, do sofrimento, da autoánálise e da batalha espiritual já aprimorou o indivíduo, que então pode mover-se com uma sabedoria madura, consciente - e não com preceitos, ideias, fórmulas. Penso que talvez a razão de todas as dissensões entre "amigos" (um assunto que tanto ocupou Lawrence e Duhamel) seja um certo idealismo.

Henry acrescenta: Mais uma vez, trata-se de algo sacro demais, íntimo demais, isolado demais. Amor puro, amizade pura - estes são ideais. Pode ser que existam, vez que outra, e são coisas lindas de se vislumbrar. Mas não metas. São incríveis e acidentais (...). Quando [esses] dois homens [no Salavin de Duhamel] fazem um pacto eterno, eles estão se alienando da humanidade, o que é pecado (...). Marido e mulher fazem o mesmo quando se amam até a morte. Sugam-se um ao outro, até que não sobre nada. Aós um certo tempo, encontram-se cara a cara e vêem apenas uma casca seca e oca.

[Anaïs Nin. Incesto.]

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