21 maio 2011

Sacristia

Enlouquecera. Jatos e mais jatos de tinta eram cuspidos no papel, que se amontoavam ao seu redor. A tensão frenética, que lhe possuía, compelia mais e mais no jorros de pensamentos, que sem conexão alguma, traduziam a lacerante dor que irrompia de seu peito. E quanto mais a dor fazia brotar folhas de papel enervados de palavras, mais a melodiosa dança de pétalas outonais ganhava forças. Vida. Ali, sobre aquela cadeira, por detrás daquela escrivaninha, com aquelas sinfonias, fugas e sonatas de trilha sonora. Ele criava vida de sua morte, de sua loucura, e tantas outras coisas. Era vida que ali brotava. Brotava em meio ao rodopiar de globos luminosos, dourados. Ideias. Luz sacralizada, que acompanhava, o ritmo frenético que o possuía, forçando a chover pergaminhos por meio da tempestade de pensamentos dolorosos, que fustigava as janelas de sua mente, criando um mar preto e branco aos seus pés.

2 comentários:

  1. Gostei muito. Diferente do padrão, linguagem mais breve e bastante metafórico. Senti uma influência simbolista. :*

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  2. Particularmente gosto mais desse estilo de texto do que dos contos, lendas, etc. Não porque algum deles seja melhor que outro, mas num texto assim é mais fácil perceber a paixão e o sofrimento de quem escreve ao tentar dizer algo que é, de certa forma, impossível dizer. Ótima saída, dizer o que alguém faz quando tenta dizer. Gosto das palavras sozinhas significando talvez mais do que uma explicação qualquer. Abraços.

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Ronrone à vontade.