17 maio 2011

Diga não você também, #HomofobiaNão.

Hoje é o Dia Mundial de Combate a Homofobia, dia em que lutamos para que exemplos como os citados abaixo deixem de acontecer, principalmente por acontecerem com crianças e jovens, que não podem/sabem como se defender desses atos cruéis. #HomofobiaNão


"Toda vez que você disser amém,
na sua casa ou no seu lugar de oração,
ao ódio pelas pessoas gays,
saiba: uma criança estará ouvindo"
(Orações Para Bobby - Mary Griffin)

Todos os dias, os pequenos, ouvem em suas casas, na escola, na Igreja que frequentam, de seus pais, de seus irmãos mais velhos, de seus professores, dos padres e pastores, de todos aqueles que deveriam estar lá para protegê-los que aquilo que eles sentem, que eles vivem, que eles tentam controlar está errado. Que eles são abominações, pecadores, não-naturais, imorais, pervertidos. Meu irmão disse uma vez, na mesa do jantar, que os gays deveriam ser largados numa ilha e abandonados lá para morrer. Meu pai e minha mãe concordaram. Que eles não merecem a vida, a felicidade, o lugar que eles sonham conquistar no mundo. Meu vizinho, um ano mais velho que eu, repetia o que ouvia dentro da sua Igreja (evangélica) que aos gays só restava o inferno. E como criança, eu acreditei, acreditei que iria para o inferno. Onde estavam aqueles lá que deveriam defender os pequeninos? Quantas outras crianças não passaram por isso? Quantos meninos e meninas por aí, ouvem de seus pais, irmãos, tios, padres, pastores, aqueles que deveriam estar lá para protegê-los, que condenados, a eles só pode estar destinada a morte, o afastamento, a solidão, a desesperança? Meu outro irmão um dia entrou no meu quarto e, com o dedo em riste, disse que se eu virasse gay ele mesmo me mataria. Quantas e quantas mais crianças precisarão passar por isso? Ouvir na escola que são inferiores, que são de segunda classe, de que não merecem nem terminar seus estudos? Um colega de escola, cansado de ouvir xingamentos em sala de aula, cujos professores não faziam nada para evitar largou os estudos. Quantas crianças ainda precisarão ouvir que não pertencem aquelas famílias, que não são mais filhos de seus pais, que são a grande decepção da vida deles, que merecem a morte? Onde estão aquelas pessoas que deveriam protegê-los? Um aluno meu era espancado pelo pai porque este achava que ele era gay, ele virou-se para mim com os olhos cheios de lágrimas e me contou: "Professor, eu nem sei o que é ser gay". Quantos sonhos, quantos espíritos, serão destruídos por este ódio que comanda a vida de pessoas? Quantas vidas serão arrancadas de corações tão puros pelo simples fato de que eles não puderam escolher ser iguais aos outros? Quantos mais? Quantos serão assassinados pelas ruas, espancados com lâmpadas, xingados através de vidros de carros passantes? Quantos mais precisam ainda acreditar que não tem o mesmo direito a vida que um heterossexual "normal"? Um outro aluno meu, de 15 anos, quando descobriu que as pessoas sabiam que ele era gay enforcou-se no quarto em que dormia com uma corda de sisal. Quando ódio precisa ser ainda despejado sobre as nossas crianças? Por que eles não nos atacam, os adultos, aqueles que podem se defender e deixam as crianças em paz, deixem seus corações inteiros, vivos, alegres. São apenas crianças. Um amigo meu foi expulso de casa aos 17 anos, por ser gay, ele viveu na rua durante meses. Quantos mais ainda vão ser jogados a sua própria sorte porque aqueles que deviam protegê-los não sabem que as crianças são frágeis e aquilo que se faz a elas destrói mais do que seu corpo, destrói seu coração, seu amor-próprio, seu espírito, seu futuro? Quantas crianças mais serão mortas ainda, por dentro, sem sangue, terão seus sonhos, esperanças e espíritos esmigalhados por este ódio desenfreado? Quantas mais? Por favor, eu lhes peço, aprovem as leis contra homofobia, não por mim, mas pelas nossas crianças, nós somos aqueles que deveriam protegê-las.

*Lenin Campos, historiador, doutorando em História (UFMG)
lenincampos@hotmail.com  

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