08 outubro 2010

De Hans à Sophia A.*

Além-mar, oitavo dia do décimo mês do ano dois mil e dez de Nosso Senhor.

Querida Sophia,

Porque o mar é o caminho para minha casa.

Lembro-me e cismo, ainda, com tudo o que passou. Tudo o que não fomos e o que hoje sei que éramos.

Em minha frente, surgia ele, enorme, desmedido e costas largas, um amplo abraço sempre, que pesadamente me envolvia. Sua figura sempre vermelha, tal qual um coral, e um sorriso enorme, com dentes brancos reluzentes.

Mesmo assim, havia nele um mistério. Era algo tão incompreensível pra mim e, no entanto eu o queria, sem medo de me perder. E, perdi-me em bailados e harmonias tecidos por aquela mítica figura.

Sozinho, caminhei em meu labirinto, no interior de palácios veementes e vermelhos, sucessivos e roucos, aproximei meu rosto do silêncio e da sussurrada treva, de paixões e traições inchadas de gritos; em busca de um dia limpo.

Saído deste labirinto, encontrando o tão almejado Príncipe dos Lírios, perdi-me novamente e zarpei...

Desde então, desde isso. Que tenha morrido é ainda uma notícia desencontrada e longínqua e não a entendo bem e ninguém, nem mesmo eu ou ele, poderíamos ter pensado em despedida. Foi então que, eu entendi que jamais eu regressaria.

Entretanto, eles permanecem presentes como um reino e atravessam meus sonhos como afluentes em um rio, parecem-se com a casa da minha primeira vida, primeiro estive nela e, depois que ela perdi, passou a morar-me.

Por isso que eu estou sempre a olhar para o mar.

Um abraço,

H.

*Considerações sobre o texto em: .:: Dan.Potski ::.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.