01 outubro 2008

Reminicências

Ficou a encarar-me por bem uns dois minutos até que de forma arrogante me virou a cara e começou a lamber-se languidamente.

Isso ocorreu por volta de umas três noites seguidas, e sempre da mesma forma. O que mais me intrigava era que aquele gatinho fofo parecia ser tão seguro de si, tão altivo e auto-suficiente como um soberano, um Rei Antigo, no auge da sua Magnificência.

Na quarta vez após o nosso primeiro encontro recepcionei-o com um pires de leite gelado, que foi posto em cima da poltrona, com toda a subserviência que um Senhor merece dos seus, contudo o Gato simplesmente ignorou, bajulei-o então, fazendo cafuné em sua orelha, até que ele tomou o leite todo. Depois de terminado o seu leite ele virou-se e sumiu pela noite escura.

Fiquei decepcionado, rejeitado, até por um gato. Resolvi que não me preocuparia mais com aquele bichano ingrato e abusado, todavia passei o dia seguinte inteiro com a imagem dele em minha cabeça, e numa ansiedade louca pela noite.

Quando ele chegou, numa pontualidade que deixaria qualquer britânico louco, parecia que a hora certa era sempre a que ele chegava, e que os outros que eram muito apressados e adiantados; foi-se para a poltrona e lá postou-se tão confortavelmente, que parecia-me que ele fazia parte da estrutura da cadeira.

Sentei-me no chão, proxímo de seu trono e iniciei um cafuné de leve nele, que parecia nem prestar atenção em minha pessoa.

Íamos completar um mês de encontros diários, e para comemorar lhe comprei um cesto doirado com uma almofada rouge e uma coleira que tinha uma medalinha em forma de coroa com a seguinte inscrição: Louis XIV - Le Roi Soleil.

*postado originalmente em: .:: Dan.Potski ::.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.